Descubra a Carretera Austral pelo mar em um cruzeiro de expedição, navegando por fiordes, geleiras e vilarejos patagônicos que revelam uma nova forma de explorar o sul do Chile.

Durante décadas, a Carretera Austral foi sinônimo de viagem terrestre, com centenas de quilômetros de asfalto que serpenteiam entre florestas chuvosas, rios indomáveis e montanhas cobertas de gelo. A imagem clássica do viajante percorrendo o sul do Chile de carro, ônibus ou bicicleta faz parte do imaginário coletivo da Patagônia. No entanto, existe uma forma diferente e surpreendentemente reveladora de descobrir suas paisagens mais emblemáticas: navegá-la a partir do oceano, a bordo de um cruzeiro de expedição.

Longe de substituir a experiência terrestre, essa travessia oferece uma nova leitura do território. Por meio de fiordes, canais e geleiras que correm paralelos à rota, o cruzeiro da Antarctica21 pela Patagônia e pelos Fiordes Chilenos permite contemplar alguns dos tesouros mais icônicos da Carretera Austral a partir de uma perspectiva privilegiada, inacessível por estrada.

Uma viagem que começa em Puerto Montt, adentra o coração do extremo sul chileno e culmina em Ushuaia, revelando que o espírito da Carretera Austral também se escreve sobre a água.

A aventura começa em Puerto Montt

Em Puerto Montt, o porto que marca o início do mítico sul do Chile, embarca-se em um navio de expedição projetado para enfrentar os desafiadores fiordes patagônicos com conforto e calor humano. A partir desse momento, a imensidão começa a se revelar diante dos olhos do viajante: fiordes escarpados, ilhas arborizadas, canais que parecem esculturas e a promessa de encontros com fauna marinha única.

Um dos primeiros tesouros naturais deste itinerário é a área de Puerto Aysén e Puyuhuapi. Longe de ser apenas um ponto geográfico, esse trecho conecta-se perfeitamente à identidade paisagística da Carretera Austral: um mosaico de florestas valdivianas, montanhas e canais marinhos que se fundem no horizonte. As águas profundas e as paisagens nativas criam uma sinfonia visual e sonora que encanta desde o primeiro momento.

Parque Nacional Laguna San Rafael: o coração gelado da Patagônia

Se há um cenário icônico na região, esse é o Parque Nacional Laguna San Rafael. Declarado Reserva da Biosfera, este parque se abre como um portal natural para o Campo de Gelo Patagônico Norte, um dos maiores corpos de gelo fora dos polos. Nesta parte da travessia, o cruzeiro entra em um universo de brancos e azuis. A gigantesca Geleira San Rafael, com sua imponente parede de gelo, não é apenas uma atração visual: é uma força geológica que parece viver e respirar diante de seus visitantes.

Para muitos viajantes, este segmento da expedição é o momento em que a Patagônia deixa de ser um conceito geográfico e se transforma em uma experiência íntima e transformadora. O gelo, a luz mutável e a imensidão do campo de gelo compõem uma paisagem que poucos lugares do planeta conseguem igualar.

Caleta Tortel: encanto humano entre passarelas e fiordes

Longe das grandes geleiras, mas igualmente fascinante, encontra-se Caleta Tortel, um vilarejo que parece desafiar as leis da cartografia tradicional. Construído sobre palafitas e conectado por passarelas de madeira que serpenteiam entre a floresta e os canais, este lugar é um tributo à criatividade humana diante de um ambiente agreste.

A cultura e a natureza se fundem aqui de forma inspiradora: as casas com vista para o mar, as florestas úmidas que parecem abraçar o local e o silêncio pontuado pelo canto de aves marinhas fazem da chegada em cruzeiro um momento para parar, explorar e refletir. Caleta Tortel representa um encontro com a autenticidade patagônica, aquela que não se mede em quilômetros, mas em sensações.

Rumo ao sul profundo: Parque Nacional Bernardo O’Higgins

Além de Caleta Tortel está o gigante silencioso da Patagônia chilena: o Parque Nacional Bernardo O’Higgins. Este parque, um dos maiores do Chile, é um território de montanhas nevadas, geleiras espetaculares e fiordes que parecem infinitos. É o lar das míticas geleiras Balmaceda e Serrano.

A travessia pelos braços de água que o percorrem evidencia a magnificência da natureza: icebergs flutuantes, geleiras que desabam no mar e a possibilidade de avistar fauna marinha que faz deste ecossistema o seu lar. Para muitos viajantes, este é o momento em que a Patagônia se revela em toda a sua crueza e beleza — um lugar onde a natureza não é apenas observada, mas sentida.

Os essenciais da Carretera Austral a partir do mar: uma viagem diferente

Embora a Rota 7 seja conhecida por suas paisagens terrestres que conectam regiões, lagos e comunidades isoladas, esta viagem marítima explora essa mesma geografia sob uma perspectiva aquática, conectando pontos que a estrada apenas vislumbra à distância.

A experiência não é estritamente linear: misturam-se momentos de contemplação no convés com excursões em zodiac, avistamentos de fauna e a oportunidade de compreender melhor como esses territórios foram moldados por geleiras, rios e mares ao longo de milhões de anos. Diferentemente de uma viagem de carro, aqui o ritmo é ditado pela maré, pelo vento e pela natureza.

À medida que o cruzeiro segue seu rumo em direção ao extremo sul, a paisagem torna-se cada vez mais dramática. Os canais profundos dão lugar a extensões marinhas mais abertas, as montanhas tornam-se mais escarpadas e o tempo parece desacelerar. Cada amanhecer e cada pôr do sol nessas altas latitudes é uma pintura diferente, uma combinação de luz, nuvens e cores impossíveis de reproduzir em qualquer outro lugar do mundo.

A chegada final a Ushuaia, a cidade aos pés dos Andes Fueguinos e conhecida como a cidade mais austral do mundo, encerra uma das travessias naturais mais extraordinárias que o planeta oferece. É também um momento em que os viajantes costumam refletir sobre o vivido: os sons do mar, as geleiras centenárias, as florestas austrais e os encontros humanos que fazem desta viagem algo verdadeiramente inesquecível.

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Viva a experiência